PROFESSOR LUIZ


Caros alunos

Bem vindos ao ano letivo de 2016

Nossas aulas serão ministradas   particularmente no ambiente escolar.

Esse nosso blog visa apenas cumprir o papel de uma ferramenta para auxiliar em nossos estudos. Serão postados perguntas, respostas, textos, avisos, informativos, etc.

Portanto longe de cumprir o papel de substituir nossas aulas na escola.

Vou lecionar para diversas séries, dessa forma vou identificar a quem o texto se destina, isso  implica que todos poderão ler.

Meu provedor me destinou um espaço pequeno, a medida que vou colocando textos, os debaixo vão sendo apagados automaticamente, sugiro a vocês assim que virem qualquer matéria destinada a vocês, copiem e salve em uma pasta em seu computador para posterior consulta.

Essa página também tem o objetivo de servir como uma ponte entre prof. E aluno, caso houver alguma duvida, o aluno pode fazer a pergunta que desejar, assim que possível eu respondo. Apenas eu terei condição de ler as perguntas e duvidas encaminhadas pelo aluno.  Outras duvidas a esse respeito serão esclarecidas em sala de aula, acredito que se vocês souberem usar e valorizar nosso blog, será muito útil e facilitará para todos.

Desejo a todos um ótimo ano e que seja bastante satisfatório, em Dezembro pretendo confraternizar com meus alunos as vitórias e crescimento obtidos.

Obs: é muito importante vocês informarem os pais da existência desse nosso blog....

Caso algum pai desejar me enviar qualquer solicitação, informe ou pergunta pode também fazer uso da nossa página.

Obrigado...

Prof. Luiz Bortolo

História

 

15/02/2016



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 21h28
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leiam esse texto sobre ferrofia

Por Cléber Sérgio de Seixas

 

O trabalhador interrompe por um momento sua atividade para contemplar a deslumbrante paisagem. Enxuga o suor da testa, gira sobre si mesmo, apoiando-se sobre a ferramenta de trabalho e olha em volta. A visão é de encher os olhos, a natureza é superlativa em todos os sentidos, porém o verde intenso da floresta pode não ser o da esperança. Ouve-se o silvo do vento entre as árvores, que o operário logo interpreta como sendo a selva tentando dizer que tanto ele quanto seus companheiros são intrusos ali e, portanto, devem ir embora. O som de um apito metálico quebra a calmaria e diante do homem surge um colossal cavalo de aço que, impulsionado pelo vapor, desliza elegantemente sobre barras metálicas paralelas. Os sons da natureza e da modernidade, assim, se misturam. O cansado operário, agora confuso, não sabe se deve dar ouvidos às advertências de uma ofendida e potencialmente vingativa natureza ou aos sons do progresso, que carregam promessas de dias melhores ou, pelo menos, salário no bolso no fim do mês, condição para a subsistência sua e de seus familiares.

A cena descrita acima bem que poderia ter sido protagonizada por quaisquer dos trabalhadores envolvidos na construção da ferrovia Madeira-Mamoré. A hercúlea obra de engenharia do início do século passado contou com a participação de milhares deles, oriundos de vários países, cuja saga, tempos atrás, foi tema de uma minissérie da TV Globo. Esses homens que doaram à construção da ferrovia seu sangue, seu suor e suas lágrimas, tiveram como adversários doenças tropicais como a malária e o beribéri, investidas de índios arredios, calor causticante, chuvas torrenciais, terrenos pantanosos e alagadiços, além de péssimas condições de higiene. Dizia-se na época que morrera um trabalhador para cada trilho assentado nos seus quase 370 km de extensão. Era natural, portanto, associar adjetivos mórbidos à controversa ferrovia: Ferrovia Fantasma, Ferrovia da Morte e Ferrovia do Diabo, entre outros.

Com a expansão da indústria automobilística, o precioso produto da seringueira passou a ser cobiçado no mercado internacional. Um dos motivos da construção da Madeira-Mamoré era o escoamento da produção da borracha brasileira e boliviana, num período conhecido como Ciclo da Borracha, época na qual as regiões de Belém e Manaus ganharam ares de modernidade. Um dos fatos marcantes desta fase de opulência foi a construção do Teatro Amazonas, cuja inauguração teria contado com a presença do tenor Caruso e da bailarina Ana Pavlova. Terminado o Ciclo da Borracha a ferrovia foi aos poucos sendo abandonada, até sua desativação definitiva em 1972, quando o regime militar estava envolvido no que viria a ser outro fiasco: a construção da rodovia Transamazônica que, diziam, iria “ligar o nada a lugar nenhum”.

Num país que teima em priorizar o transporte rodoviário, com todas as suas desvantagens em relação ao ferroviário, as ferrovias têm sido descartadas gradativamente, num processo que pode ter se iniciado durante os anos JK. As poucas que ainda sobrevivem são, em sua maioria, caminhos através dos quais nossas riquezas escorrem para o exterior. O jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano expõe assim a questão:"as vias férreas não constituíam uma rede destinada a unir diversas regiões interiores entre si, mas conectava os centros de produção com os portos. O desenho coincide ainda com os dedos de uma mão aberta: desta maneira, as ferrovias, tantas vezes saudadas como estandartes do progresso, impediam a formação e o desenvolvimento do mercado interno". As mãos abertas – abertas até demais - fazem com que o destino das ferrovias brasileiras seja atrelado ao das mercadorias que transportam. Estão fadadas a existir somente enquanto cumprirem sua função de espoliação, não tendo sido desenhadas visando o incremento do comércio interno ou para promover a ligação entre regiões, fomentando, assim, o desenvolvimento.

É surreal constatar que um meio de transporte menos poluente, mais barato, mais seguro e mais eficiente foi jogado para escanteio pela política nacional de transportes. Contudo, compreende-se o fenômeno quando se atesta que atualmente o norte das ações das empresas envolvidas no transporte ferroviário (exemplo: Vale do Rio Doce, vulgo Vale) não são as demandas sociais por transporte de qualidade ou mesmo eficiência no transporte de mercadorias e sim, e tão somente, o lucro.

A privatização da Rede Ferroviária Federal foi a última pá de cal sobre nosso sistema de transporte sobre trilhos. Podemos supor que há um lobby das montadoras de veículos, aliado aos interesses da indústria petroquímica, cooperando para que o transporte ferroviário nacional permaneça sucateado. Da privatização pra cá só sobraram algumas linhas férreas cuja especialidade é transportar minérios, sobretudo minério de ferro. Quanto ao fluxo do transporte de mercadorias e passageiros, o modal ferroviário não se compara, em quantidade, ao rodoviário. Os trens de passageiros se contam nos dedos. Os que restaram, em sua maioria, são aqueles trens a vapor que propiciam passeios culturais, bucólicos e de curta duração a preços exorbitantes, como é o caso do trem que vai de Ouro Preto a Mariana: 30 reais – ida e volta - cobrados para percorrer 17,5 Km de percurso. Uma das poucas exceções de peso é o trem que faz a linha Vitória-Minas, com poucas saídas semanais - o que é praticamente simbólico diante do que seria o ideal nesse nosso país populoso e de dimensões continentais.

Enquanto isso o povo brasileiro paga caro para viajar de ônibus em péssimas estradas que não oferecem mínimas condições de segurança, além de consumir mercadorias caras que têm embutidos na formação de seus preços os absurdos custos dos fretes rodoviários.

O drama humano e econômico da Madeira-Mamoré pode, portanto, simbolizar o apogeu e o ocaso das nossas antes tão gloriosas ferrovias. Para nosso consolo, vem aí o trem bala Rio-São Paulo. Esperamos que saia do papel e que não seja uma experiência que só foi levada a cabo por obra e graça de uma Copa do Mundo.

 

 



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 18h45
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Á   F   R   I   C   A      

O continente africano em tamanho é quase 2 vezes maior que o Sul Americano, em população é 2,5 vezes maior, mas com uma condição desfavorável, quase a terça parte, isto é 1/3 é coberto pelo deserto do Saara. O clima é quente e seco, com baixa incidência de chuvas. Os países do norte da África como Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito, por estarem próximo do sul da Europa, separados apenas pelo mar mediterrâneo mantinham um comércio mais intenso, ao passo que os países localizados abaixo do Saara denominados como países subsaarianos eram mais prejudicados nesse sentido porque o deserto servia como uma barreira. O continente africano por ser muito rico em minerais, petróleo e outras matérias primas almejado pelos países industrializados, foi invadido pelos europeus, usando a desculpa que estavam levando a civilização e o progresso para povos que precisavam de ajuda, quando na verdade a única coisa que fizeram foi explorar o povo e a terra. Essa invasão ocorreu logo após a unificação da Itália e da Alemanha, quando em 1885 na Conferência de Berlim, os países europeus decidiram invadir a África.

Entre os séculos VIII e XVII os países abaixo do deserto eram  habitados por povos negro-africanos, cada um com sua cultura e jeito de ser, alguns desses povos construíram  impérios próspero e organizados como o Império do Mali e o Reino do Congo. Não há muitos documentos históricos sobre o Mali, o pouco que sabemos vem através da história oral, contada e preservada pelos Griots. Contam os Griots que por volta do séc. XIII o povo mandinga do Mali foi conquistado pelo povo do reino de Gana cujo rei era muito cruel. Certo dia os Mandinga se rebelaram e liderados pelo príncipe Sundiata Keita venceram seus opressores na batalha de Kirina em 1235, cinco anos depois ( 1240)  o povo mandinga liderados por Sundiata invadiram e conquistaram Gana e passou a reinar sobre um extenso território denominado império do Mali. Com o título de Mansa (imperador) ele dividiu o reino em vários estados, governado por súditos de confiança, deslocou sua Capital para Niani no sul do Mali. As margens do rio Níger foi fundada a cidade de Tombucto,  ao longo do sec. XIV tornou-se importante centro comercial por estar na rota dos comerciantes que viajavam para a Índia e Ásia, os produtos comercializados eram sal, ouro, tecidos, noz de cola, peles marfim e instrumentos de metal. Tombuctu tornou-se um grande centro comercial e cultural. Com mais de 150 escolas e mais de mil alunos vindos de todas as partes da região, os professores eram bem pagos e dispunham de tempo integral para se dedicar ao estudo e pesquisa. Quanto a religião eram muçulmanos e construíram a mesquita de Tombuctu. Com o comércio de ouro e outros produtos com a Líbia e Egito o Mali tornou-se no estado mais rico da África.

A culinária do povo do Mali se baseava em arroz, milho, feijão, algodão, bovinos, caprinos e peixe. A cada colheita uma parte simbólica era oferecida ao imperador. Os artesão estavam divididos em grupos profissionais, marceneiros, tecelão, barqueiros, ferreiros, sapateiros e ourives. No campo da arte tocavam um instrumento de cordas parecido com um banjo chamado de Kora, as cordas eram feitas de pele de antílope. Na área da política o imperador era a autoridade máxima, mas ele pessoalmente ouvia as queixas e fazia justiça. Os Griots eram procurados pelos reis para dar conselhos e atuar como professores. Em todas as reuniões importantes os Griots contavam suas histórias, havia o chefe das forças armadas e o Senhor do Tesouro, era uma espécie de ministro das finanças encarregado de cuidar dos bens do império. Devido a um processo de educação bem elaborado, exército bem treinado, respeito as tradições, contribuiu para que o império do Mali durasse cerca de 300 anos, no séc. XIV durante seu apogeu chegou a ter 45 milhões de habitantes. Um dos ensinamentos africanos citados pelos Griots era “A cada dia se aprende algo novo, basta saber ouvir”. No final do sec. XV o Mali começou a perder território para outras tribos africanas, quando seu desmantelamento se intensificou com a chegada dos portugueses em 1483 liderados por Diogo Cão, trazendo a destruição personificada na arma de fogo, a qual era desconhecida dos milaneses, além de táticas de combate e outras novidades. Com a falsa promessa de amizade em 1495 o rei lusitano começou a explorar o povo e a terra, fingindo amizade com o neto de Kanku Mussá rei do Mali.

Inicialmente os traficantes portugueses tentaram eles próprios aprisionar as populações da costa africana, mas como era muito difícil começaram a propor ajuda militar a tribos africanas rivais, ofereciam também vantagens comerciais e instigava as tribos a lutar contra o império do Mali. O governador de Salum se separou do Mali, com isso eles perderam a saída para o mar, No final do sec. XVI enfraquecido O Mali perdeu muitos territórios até a desintegração total do império.

O REINO DO CONGO = No ano 1000 abaixo da linha do Equador a língua falada era o Banto, nessa área formaram  reinos poderosos como o do Congo. Tudo começou quando o rei  Nimi Lukeni chefe do povo Kicongo atravessou o rio Zaire, esse rio era chamado pelos portugueses de rio Congo, e se casou com uma mulher do povo ambundo. Desse casamento e união das duas tribos nasceu no final do sec. XIV o reino do Congo.  Nimi Lukeni recebeu o título de Mani Congo (senhor do Congo). Seus sucessores foram ampliando o território através de guerras ou casamentos.  O centro do poder era na cidade de Mbanza Congo onde o Mani congo exercia sua autoridade. O rei contava com o auxilio de doze conselheiros, secretários gerais, coletores de impostos, oficiais militares e juízes. O rei recebia impostos que eram  pagos com produtos agrícolas alem de ouro ferro e outros artigos e dinheiro, a moeda do congo era o nzimbu ( espécie de concha marinha obtida na Ilha de Luanda). O chefe da tribo ouvia as queixas e julgava os casos mais graves, inclusive o de abuso de poder dos governadores das províncias. A base da economia era a agricultura e pastoreio, criavam porcos, gado e cabras, o trabalho de semear, regar e colher eram feito pelas mulheres. O uso da terra era coletivo, não havia terra particular. Para fazer armas e ferramentas eles forjavam o cobre e o ferro. Segundo a tradição do Congo o fundador era ferreiro, portanto esse ofício era reservado só aos nobres. No Congo o ferro era abundante, mas o sal era mercadoria rara, por isso era rigidamente controlada pelo rei. O comercio era intenso, sendo a maior cidade comercial Luanda, alimentos, cerâmica, cestos de vime frutas e outros produtos. Alem dos nobres, artesãos e soldados havia um pequeno numero de escravos.

 

No Congo o povo vivia com suas tradições em harmonia quando os portugueses chegaram em 1483 liderados por Diogo Cão. Quando o rei morreu seus dois filhos entraram em disputa pelo poder, os portugueses ajudaram um dos irmãos a vencer a batalha e assumir o trono. Logo que começou a governar em 1505 o rei Nzinga Mbemba converteu-se ao cristianismo e adotou o nome português de Affonso, o rei estudou dez anos com os padres missionários e aprendeu a falar e escrever muito bem em português. Adquiriu os conhecimentos e armas vindas da Europa desejando fortalecer seu reino. Enviou africanos para estudar em Portugal e pediu para a coroa portuguesa enviar médicos, padres e professores, porém vieram apenas traficantes de escravos que começaram a escravizar e vender o povo africano. O rei africano escreveu várias cartas ao rei de Portugal pedindo para parar com o tráfico, mas nunca foi atendido. O rei resolveu pedir auxilio do Papa, mas quando seus emissários chegavam a Portugal eram presos pelos soldados europeus. Após a morte do rei africano Affonso em 1665 o povo do Congo tentou uma revolta, mas foram vencidos e o Congo passou a ser domínio português. A noz de cola é um fruto muito amargo, é consumido principalmente nas regiões áridas, sacia a sede e proporciona uma sensação de bem estar devido ao alto teor de cafeína. A rainha Nzinga viveu na Angola (1624-1663), com a morte do rei seu irmão mandou matar seu marido e filho e assumiu o trono, para não ser morta  ela ficou quieta. Pediu permissão ao rei para ir morar longe da tribo em outro local. Depois de algum tempo formou um exército  e derrotou o irmão. Após assumir o trono foi chamada para conversar com o comandante português. Quando chegou para a entrevista notou que na sala havia apenas uma cadeira destinada ao europeu, naquela época cadeira era sinal de poder e quando viajavam cada um levava a sua, ela certamente seria humilhada e teria de sentar-se no chão. Nzinga pediu que uma escrava ficasse de joelhos e sentou-se sobre ela como se fosse uma cadeira, o português percebeu que estava lidando com uma mulher inteligente quando ela deixou a escrava na sala e disse que só se sentava em uma cadeira uma única vez. Nzinga converteu-se ao cristianismo e adotou o nome de Anna de Souza, fez isso só para enganar os portugueses.      19/05/2013 = Prof. Luiz= História.



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 23h52
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ÁFRICA ATUAL

É comum generalizarmos a origem dos escravos negros por terem vindos da África, assim, sua proveniência continental africana muito contribuiu para essa visão equivocada. Os grupos escravizados eram identificados pelo porto que embarcavam em direção ao seu flagelo além-mar, ao invés de ser identificado por sua etnia, promovendo dessa forma a generalização. Outro ponto que precisa ser esclarecido que a prática de escravização entre as tribos rivais já eram praticadas antes da chegada dos europeus ao continente, porém em menor escala. Para o europeu (portugueses) era arriscado adentrar ao continente com a finalidade de capturar escravos, era muito mais vantajoso comprar através do escambo (troca de mercadorias) os escravos capturados por outras tribos, os quais eram trocados por tabaco, tecidos, armas e ferramentas.

Os escravos provinham principalmente da África Sub Saariana (abaixo do deserto do Saara)  principalmente do Congo, Angola e Moçambique. Dois grandes grupos predominavam entre as tribos os Bantos ( Norte ) e Sudaneses  (Sul ), em que a língua, costumes, tradições, religião eram diferentes, diferenciavam-se também na parte física. Convém esclarecer que Banto não é uma raça e sim um tronco linguístico que se subdivide em mais de 400 dialetos. Para precaver a união entre os negros e dificultar uma rebelião eles eram mesclados com escravos de diversos idiomas e cultura diferentes.

Em países como Ruanda, Uganda e outros eles se dividiam em dois principais grupos, Tutsi e Hutus. Desde o séc.  XV os Tutsi eram a minoria mas dominavam os Hutus. Em 1885 foi realizada na Alemanha a conferência de Berlin, nessa conferência ficou acordado entre os países europeus a invasão e divisão do continente africano, por esse acordo cada nação europeia poderia invadir e dominar com a finalidade de exploração (neo colonialismo), a parte da África que conseguisse dominar, independente do grupo que habitasse essa região. Tal processo contou com o apoio da Igreja, a qual visava cristianizar os povos africanos a ajuda-los a ter uma condição de vida melhor levando a civilização, no entanto isso nunca ocorreu

Utilizando-se da mesma tática de outros colonizadores durante a história da humanidade, quem invadisse uma região se aliava ao grupo menor, o qual já nutria ódio e rivalidade contra o grupo maior, ou se aliavam aos detentores do poder. Os europeus forneciam armas e os treinavam a combater as tribos rivais que eram escravizadas e obrigadas a trabalhar para os europeus.

Apenas para ilustração os Belgas sob o comando do rei Leopoldo ocuparam o Congo, apoiado pelos Tutsis cometeram muitas atrocidades contra o povo Hutu. Ruanda era uma colônia Belga  dominada pela minoria rica Tutsi até 1959 quando os Hutus ganharam maior poder político. Em 1962 por ocasião de sua independência os Tutsis foram perseguidos e fugiram para Uganda. Em 1990 a Frente Patriótica Ruandesa, composta pelos exilados Tutsi, invadem Ruanda com o apoio do exército de Uganda. Em 1993 os dois países assinam um acordo de paz. Denominado Acordo de Arusha. Cria-se em Ruanda um governo de transição, composto por Hutus e Tutsi. Em 1994 derrubaram o avião que transportava o presidente Juvenal Habyarimana. Responsabilizaram os Tutsis pelo atentado, com a morte do presidente, teve início um verdadeiro massacre dos Hutus contra os Tutsis no qual foram mortas mais de 800 mil Tutsi e Hutus moderados, homens, mulheres, velhos e crianças. Usaram todo tipo de armas de fuzil AK 47 de fabricação russa, granadas, pistolas,  mas predominantemente facões, porretes e outras armas.

O fim do genocídio só foi interrompido com a invasão de tropas da ONU. Atualmente com o fim das hostilidades Ruanda começou a apresentar significativos sinais de desenvolvimento sobremaneira no campo social.  Outro detalhe que necessita ser destacado é que o continente africano é uma região muito rica em minérios, pedras preciosas (diamantes) e petróleo, no entanto na maioria das nações africanas o povo é muito carente, em alguns casos motivados por conflitos tribais.

Prof. Luiz  =  HISTÓRIA = 28/09/2015

 

 



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 22h32
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RESUMO SOBRE OS REFUGIADOS DAS GUERRAS  NO ORIENTE ENTENDA OS MOTIVOS

 

As imagens angustiantes do menino sírio de três anos de idade, primeiro deitado de barriga para baixo, morto, na areia de uma praia turca, em seguida o corpo sem vida embalado por um agente de salvamento, parecem ter aberto os olhos do mundo para a desesperadora crise que tem acontecido diariamente nas fronteiras da Europa.
 
A família do menino, que se chamava Alan Kurdi, vinha de Kobani, fugindo junto com centenas de milhares de outros sírios. O cerco prolongado do Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS) e uma intensa campanha de bombardeios dos Estados Unidos deixou a cidade no norte da Síria em ruínas: casas, sistema de abastecimento de água, eletricidade, saneamento e infraestrutura médica, tudo foi destruído. O menino, sua mãe e seu irmão de cinco anos estavam entre os 12 sírios que se afogaram na tentativa de chegar à Grécia. Destruído psicologicamente, seu pai, o único sobrevivente da família, disse que voltaria para a Síria com os corpos, tendo afirmado a parentes que gostaria de morrer e ser enterrado ao lado deles.
 
Há muitos culpados por essas mortes, que são apenas algumas das milhares de pessoas que perderam as vidas tentando atravessar o Mediterrâneo ou morreram sufocadas após se espremer em vans como sardinhas.
 
O Governo do Canadá ignorou o pedido feito em junho pela tia do menino, que vive na Columbia Britânica, para conceder asilo à família de Alan.
 
Os países da União Europeia têm tratado a onda de refugiados com repressão e dissuasão, construindo novas cercas, criando verdadeiros campos de concentração e mobilizando a polícia de choque, para erguer uma Europa fortificada, para manter bem longe famílias desesperadas como a de Alan mesmo que seja preciso condenar milhares e milhares à morte.
 
E os EUA? Os políticos e a mídia americana continuam convenientemente mudos sobre o papel central de Washington na criação desta tragédia que assistimos em diversas fronteiras da Europa.
 
O Washington Post, por exemplo, publicou um editorial no início da semana afirmando que “não se pode esperar que a Europa consiga resolver sozinha um problema originado no Afeganistão, no Sudão, na Líbia e, acima de tudo, na Síria”. O New York Times usou o mesmo raciocínio, escrevendo: “As raízes desta catástrofe estão em crises que a União Europeia não pode resolver sozinha: as guerras na Síria e no Iraque, o caos na Líbia...”
 
Quais são, por sua vez, as "raízes" das crises nestes países, que deram origem a esta "catástrofe"? A resposta a esta pergunta é apenas um retumbante silêncio.
 
Qualquer consideração séria do que está por trás da onda de refugiados dirigindo-se para a Europa leva à conclusão inevitável de que se trata não apenas de uma tragédia, mas de um crime. Mais precisamente, a crise é o trágico subproduto de uma política criminosa de guerras e de intervenções para mudança de regime, implementadas sistematicamente pelo imperialismo norte-americano com a ajuda e a cumplicidade de seus aliados da Europa Ocidental ao longo de quase 25 anos.



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 21h02
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RESUMO DO TCC DO PROF. LUIZ BORTOLO, NO CURSO DE PÓS GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA DA ÁFRICA

TENDO COMO TEMA CENTRAL RACISMO E PRECONCEITO

Com a dissolução da União Soviética, em 1991, a elite governante dos EUA concluiu que estava livre para explorar o incomparável poderio militar do país como forma de compensar o processo de declínio econômico do capitalismo americano. Por meio de agressão militar, Washington embarcou na estratégia de estabelecer sua hegemonia sobre os principais mercados e fontes de matérias-primas, começando pelas regiões ricas em energia do Oriente Médio e da Ásia Central.
 
A estratégia foi resumida de forma simplificada numa frase do Wall Street Journal, logo após a primeira guerra contra o Iraque, em 1991: "O uso da força funciona".
 
O que o mundo testemunha hoje, com os milhares de refugiados desesperados na tentativa de chegar à Europa, é efeito desta política, mantida desde então.
 
Em mais de uma década, as guerras do Afeganistão e do Iraque, travadas com o pretexto de serem "contra o terrorismo", e justificadas com mentiras infames sobre "armas iraquianas de destruição em massa", só foram capazes de devastar sociedades inteiras, matando centenas de milhares de homens, mulheres e crianças.
 
A estas guerras seguiu-se a guerra por mudança de regime – liderada pelos EUA e OTAN – que derrubou o governo de Muammar Gaddafi e transformou a Líbia em um arremedo de país, arruinado pela luta contínua entre milícias rivais. Então veio a guerra civil síria – alimentada, armada e financiada pelo imperialismo norte-americano e seus aliados, com o objetivo de derrubar Bashar Al-Assad e substituí-lo por um fantoche obediente às ordens ocidentais.
 
As intervenções predatórias na Líbia e na Síria foram feitas em nome dos "direitos humanos" e da "democracia", recebendo o apoio de uma série de organizações de pseudo-esquerda que representam camadas privilegiadas da classe média – o Partido da Esquerda, na Alemanha, o Novo Partido Anticapitalista (NPA), na França, a Organização Internacional Socialista, nos EUA, entre outros. Alguns chegaram a saudar as ações de milícias islamistas armadas e financiadas pela CIA e chamá-las de "revoluções".
 
A situação atual e a pressão insuportável de morte e destruição que leva centenas de milhares de pessoas à fuga desesperada e fatal representam a confluência de todos estes crimes do imperialismo. A ascensão do ISIS e as guerras civis sectárias e sangrentas em curso no Iraque e na Síria são o produto da devastação do Iraque pelos EUA, seguida do apoio da CIA e dos aliados regionais do imperialismo americano ao ISIS e às milícias islamistas semelhantes na Síria.
 
Ninguém foi responsabilizado por esses crimes. Bush, Cheney, Rumsfeld, Rice, Powell e outros do Governo Bush, que travaram uma guerra de agressão no Iraque com base em mentiras continuam totalmente impunes. No Governo atual, de Obama para baixo, ainda precisam dar explicações pelas catástrofes que desencadearam na Líbia e na Síria. Os cúmplices são muitos, do Congresso dos Estados Unidos, que tem atuado como um carneirinho no que diz respeito às políticas de guerra, a uma mídia chapa branca, que ajuda a legitimar perante o público americano guerras baseadas em mentiras, passando pelos pseudo-esquerdistas que atribuem um papel progressista ao imperialismo dos EUA e suas "intervenções humanitárias".
 
Juntos, são responsáveis pelo que acontece hoje nas fronteiras da Europa, que deve ser visto, mais do que uma tragédia, como um prolongado e contínuo crime de guerra.
 



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 21h02
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continuação

CONIVÊNCIA DA IGREJA

Dentro desse contexto não podemos nos furtar de mencionar a conivência da Igreja, que para defender seus interesses, lançou mão das Sagradas Escrituras, onde em Gênesis relata a maldição que Noé rogou sobre seu filho. Cam é um personagem bíblico mencionado no livro de Gênesis 9:20-27.  A bíblia não tem como objetivo justificar a escravidão, mas a igreja se apropriou da idéia para justificar tal prática. Noé estando irritado com seu filho Cam por ter presenciado a nudez paterna enquanto Noé estava embriagado de vinho em sua tenda, preconizou que “Cam e seus descendentes seriam servos de seus irmãos”. A Bíblia não entra em detalhes, mas descreve Cam como sendo um homem negro.

Os primeiros argumentos para a submissão de outros povos, entretanto, não tinham relação direta com a economia, eles vieram sob a forma de aprovação da igreja. Através das bulas “Dum Diversas (1452), Romanus Pontifex (1455), e Inter Coetera (1456) . Roma legitimava a escravidão dos infiéis [......] com o objetivo de conversão ao cristianismo. Em terras brasileiras esse conceito servia também em relação aos índios. A igreja fortalecia esse conceito por alegar que não havia nenhum versículo nas sagradas escrituras que condenasse a prática da escravidão.(JOICE, 2014, p.28 )

                                                      

Os portugueses igualmente consideravam os negros descendentes de Cam. A cor era o sinal da maldição e justificava a escravidão. Aproveitando a oportunidade do assunto em foco, a igreja de São Francisco concluída em 1788 no centro de João Pessoa é um exemplo desse preconceito que remonta a época da colonização, apesar de ostentar um altar folheado a ouro na nave central, do lado direito da igreja há uma pequena repartição sem muito requinte em separado destinada aos fiéis negros, fato esse comprovado pelas fotos a serem inseridas no final desse trabalho.

 

 

 

PRESENÇA AFRICANA NA CULTURA BRASILEIRA

De acordo com estudos sobre o assunto o Brasil recebeu cerca de 4 milhões de escravos negros entres os séculos XVI e XIX, tomando-se por base a população brasileira nessa época, a quantidade foi bem expressiva,  esses números indicam a estreita ligação entre os dois continentes havendo uma forte influência africana de elementos culturais relacionados à diáspora africana, a cultura brasileira foi significativamente permeada pela cultura africana na religião, musica, dança, língua, culinária, folclore e outras das mais variadas formas de expressão, em que a miscigenação ocupa lugar de destaque. Apesar disso o tratamento que a sociedade brasileira dispensou aos africanos e seus descendentes foi marcado pelo preconceito e violência. À partir do regime escravista aos olhos da elite brasileira os aspectos da cultura africana passaram a ser vistos como o exótico e o estranho, não sendo reconhecidos como formadores de nossa identidade, os africanos juntamente com outros grupos não foram inseridos na historicidade na formação de nossa sociedade. (PEREIRA, 2010,p. 22) .

 

ESCOLHA DO TERMO A SER UTILZADO

Doravante o termo afrodescendentes deixará de ser utilizado, posto que esse termo por si só estigmatize o sentimento preconceituoso, como explica o prof. Juarez, “pode ser encarado como eufemismo, onde o seu emprego demonstra o cuidado em não ferir o próximo”, como se negro fosse ofensivo, se um europeu pode dizer e se orgulhar em proferir, “eu sou espanhol, italiano, português, etc.”, é inconcebível usurpar o direito do negro da mesma forma orgulhar-se de sua gente, em poder dizer em alto e bom tom “eu sou negro”, outro fator determinante prende-se ao fato da época ao qual o texto está focado em sua maior parte, no qual o termo afrodescendentes passa a ser utilizado somente no abrir das cortinas  do século XXI após a conferência de Durban em setembro de 2001 na África do Sul. Pelas justificativas apresentadas o termo afrodescendentes, será substituído por (escravo, homem negro, ou apenas negro). Esse procedimento está lastreado nas declarações a seguir do Prof. Juarez C. Silva.

 

Nas listas de discussões do Movimento Negro (MN), encontros e outros fóruns, são recorrentes acaloradas 'discussões' sobre a questão do termo afrodescendentes, uns entendem como simples eufemismo ou "moda", outros são contra, pois enxergam a questão como simples fuga da estigmatização vinculada ao termo negro, termo que muitos acreditam que deva ser mantido e valorizado, outros não concordam pois entendem que toda a humanidade é afrodescendentes e sendo assim, não seria correto utilizar o termo apenas para os negros...; enfim um dos grandes problemas do MN é a 'Babel' de conceitos e terminologia. (afrokut.com.br/xn/detail/2232714:Topic:17727?xg_source=activity)

 

OCULTANDO O RACISMO E PRECONCEITO

                Há o preconceito de se admitir ter preconceito. Demonstrando que o preconceito e racismo em diversas ocasiões podem estar camuflados, temos o parecer do  historiador escritor  e professor na faculdade federal do Rio de Janeiro prof. Joel Rufino.

“Na verdade a sociedade brasileira não tem condições históricas de se enxergar como realmente é: Da cor levemente coberta de branco, como os bolos de chocolate que se adornam de glacê. Por que não conseguimos ver no espelho nossa própria face?” 



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 19h45
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Segundo Rufino, temos de levar em conta que até o início do século XX, quando os imigrantes começaram a chegar ao Brasil para substituir a mão de obra escrava, a população de origem africana era uma grande maioria, principalmente nos estados do nordeste e Rio de Janeiro. Historicamente pouco foi feito para integrar a população negra na sociedade brasileira, embora por outro lado temos forte influência africana (banto) na língua, musica, dança,  religião, culinária e folclore. A trajetória do negro em solo americano, em especial no Brasil, foi envolta em inúmeros fatores conflituosos.  No decorrer da escravidão foram tratados como animais e, a situação não mudou muito após a assinatura da Lei Áurea. Os negros e seus descendentes estão aguardando uma liberdade que ainda não chegou. A lei de 1888 parecia ser propícia aos escravos, não  podemos negar trouxe um pequeno alento ao sofrimento, mas em pouco tempo revelou-se ter sido perniciosa por não abarcar programas visando sua integração na sociedade. Desde então os ex-escravos estão atados a correntes invisíveis, que os prendem nos porões da hierarquia civilizada, onde a mobilidade social é extremamente dificultosa, mesmo sendo encarada como um trabalho de Hercules a ser vencido, fomentada pela implacável desigualdade social, os negros tem de inúmeras formas empreendido em seu enfrentamento, atitude totalmente adversa do que é apregoado que o homem negro aceitou as correntes pacificamente, imposta pelo homem branco.

De forma velada e prudente podemos  nos dias de hoje notar a ação do racismo e preconceito que paira sobre os ombros dessa gente. O homem negro não veio para a América de livre e espontânea vontade, veio acorrentado como um ser desprezível.

Os dados do IBGE recentemente divulgados demonstram que os negros tem uma condição de vida inferior a dos brancos em todos os aspectos, como salário, emprego, escolaridade, saúde, habitação e outros fatores preponderantes a vida moderna., na qual a escolaridade tem um peso dominante. No entanto não se pode furtar de mencionar que temos em nosso país muitos negros bem sucedidos em todos os setores, mas se levado em conta a porcentagem é pequena. (jornalggn.com.br/.../ibge-negros-ganharam-57-do-salario-dos-brancos-e.. )

 

Rufino acrescentou que as desigualdades acumuladas na experiência social da população negra, nos processos de escolarização têm sido denunciadas há muitos anos pelo movimento social negro, por estudiosos das relações raciais, e, mais recentemente, também pelas análises no âmbito de órgãos governamentais no Brasil. São desigualdades graves e múltiplas, afetando a capacidade de inserção da população negra na sociedade brasileira em diferentes áreas e comprometendo o projeto de construção de um país democrático e com oportunidades para todos. Indicadores como anos de estudo, reprovação, evasão,  desempenho dos estudantes, a relação professor-aluno, a qualidade do equipamento escolar e sua localização, entre outros, tem sido divulgados nos últimos anos mostrando as disparidades entre brancos e negros no acesso, permanência e conclusão dos percursos escolares. Isto significa que as variáveis utilizadas nas análises dessas desvantagens escolares se ampliaram e com elas nossa possibilidade de melhor entender o fenômeno das desigualdades raciais na educação. O prof. Rufino teceu um comentário a respeito das cotas no ensino superior. Há quem defenda a postura do governo de por força de lei garantir aos negros cotas nas vagas de faculdades, em uma tênue tentativa de resgatar a dignidade afro, em contrapartida outros acreditam que essa atitude pode num futuro próximo servir de desmerecimento aos negros que conseguirem um curso superior sem terem feito uso da cota que o resguarda.

 

 

RESISTÊNCIA AFRICANA

O racismo e preconceito não são exclusividade da sociedade brasileira, no mundo todo e em todas as épocas esse comportamento sempre esteve presente em todas as civilizações. Alemães x judeus, judeus x palestinos, europeus x africanos. Ao contrário do que muitos possam julgar o negro nunca se deu por vencido e, dentro de suas possibilidades por diversas formas empreendeu enfrentamento, não aceitando a condição que lhe era imposta pelo homem branco.  Imbuído apenas no desejo de ilustrar de forma superficial da resistência negra é possível citar uma das mais notórias luta contra o racismo na década de 60 foi a do Pastor norte americano Martin Luther King que no auge de sua campanha e luta pelo direito dos negros proferiu uma frase que o eternizou  “Eu tenho um sonho, que um dia nesse país, um homem seja julgado pelo seu caráter, e não pela cor de sua pele” é evidente que essa frase se encaixa em todas as nações que vivem o problema do racismo e surtiu um efeito muito grande na comunidade negra brasileira.

Superar a diferença racial foi um obstáculo importante para alguns países. Um deles em especial, a África do Sul, que durante quatro décadas adotou um regime de segregação racial que privilegiava a elite branca. O fim deste regime conhecido como apartheid completou 20 anos em 2014 tendo como expoente nessa luta seu presidente  Nelson Mandela. (vestibular.uol.com.br/.../apartheid--20-anos-apos-seu-fim-na-africa-do-s... )

 

 

A LEGISLAÇÃO FRENTE AO RACISMO

 

No Brasil o preconceito de raça, etnia e cor são considerados crimes. Mas o amparo da legislação não impede episódios de racismo como o da cliente que recusou ser atendida por uma profissional negra, em Brasília, ou de pessoas que não permitem negros em seus estabelecimentos e negam qualquer tipo de direito ao outro devido à sua cor. Em determinados casos é difícil comprovar a presença do racismo, no entanto há algo que deva ser colocado em evidência, em sua maioria as pessoas deixam de cometer o crime contra o racismo por temerem os rigores da lei, mas não por ter recebido uma educação voltada para esse fim, portanto a lei por si perde sua força devido a ausência de políticas publicas visando formar o cidadão quanto ao racismo. Tendo como objetivo justificar o texto será citado algumas ocorrências.



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 19h44
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No final de agosto (29 e 30) de 2014  os jornais Folha de São Paulo e Estadão noticiaram que o goleiro Aranha do clube Santista foi alvo de atitudes racistas no Rio Grande do Sul pela torcida do Grêmio. A matéria evidenciava que atitudes racistas voltaram a acontecer no futebol brasileiro. Dessa vez, o perseguido foi o goleiro Aranha, que defendia o Santos. O arqueiro foi insultado no final da partida por torcedores na Arena, em Porto Alegre. Câmeras do canal ESPN Brasil flagraram uma torcedora claramente chamando Aranha de macaco e o resto do grupo fazendo sons que lembravam o animal. Caso semelhante ocorreu com o volante Arouca em Mogi Mirim.

Um dos casos de racismo mais polêmicos dos últimos anos e não foram poucos foi encerrado  sem possibilidade de recurso. A sentença do Tribunal de Justiça de São Paulo condena Davina Aparecida Castelli, de 75 anos, a quatro anos de pena em regime aberto por ter insultado aos berros três pessoas negras que se encontravam em um shopping da Avenida Paulista,  Castelli os chamou de “macacos”, “negros imundos” e “favelados” diante de uma multidão atônita. A condenação inicial em primeira instância, de fevereiro de 2014,  era mais severa e sentenciava a ré a quatro anos de prisão em regime semi-aberto além de lhe exigir uma indenização de R$ 28.960,00 reais a cada uma das vítimas, mas a Defensoria Pública, responsável pela defesa da idosa, recorreu e conseguiu um castigo  mais leve. A condenada não pode recorrer. O caso aconteceu em novembro de 2012 na farmácia de um shopping na Avenida Paulista.

 

O RACISMO INVADE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO               

Ao girar os holofotes para o viés artístico, no rádio pode não ter ocorrido com muita intensidade, mas no cinema e televisão era gritante o predomínio branco. Aos negros eram destinadas apenas atuações coadjuvantes ou personagens serviçais. Nos telejornais os repórter âncora era invariavelmente branco sendo sua auxiliar ou coadjuvante principal também uma mulher branca. Apenas algumas emissoras iniciaram uma tênue incorporação de repórteres negros em seus noticiários na última década.  A jornalista Glória Maria, primeira repórter negra da TV brasileira, disse que ainda sofre preconceito por sua cor de pele. “Já sofri várias vezes e sofro até hoje. A diferença é que as pessoas hoje têm mais cuidado porque sou uma pessoa pública”, disse a jornalista em entrevista ao site Ego.

“Fui a primeira repórter negra da televisão. A primeira a apresentar o jornal das sete, a primeira no comando do 'Fantástico'... Mas tive que enfrentar muitas barreiras e obstáculos para conseguir as coisas. Tudo é mais difícil para um negro. É cansativo, duro, doloroso. Se você não tiver uma força extraordinária, não consegue passar por isso. Mas eu vim ao mundo para lutar. Sou uma guerreira!”, afirmou a jornalista, que atualmente, produz reportagens para o Globo Repórter. (.amambainoticias.com.br/brasil/gloria-maria-diz-que-ainda-sofre-preconceito-por-ser-negra )

 

Para o enfrentamento de episódios semelhantes e corriqueiros a resposta do Congresso Nacional visando coibir atitudes racistas, promulgou em 1989 a Lei 7.716, que define os crimes resultantes de preconceito racial. A legislação determina a pena de reclusão a quem tenha cometidos atos de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Com a sanção, a lei regulamentou que torna inafiançável e imprescritível o crime de racismo, todo e qualquer ato de racismo discriminação e preconceito será punido de acordo com a lei. De 1989 para cá, outras legislações importantes na luta contra o preconceito racial foram criadas, como o Estatuto da Igualdade Racial (2010) , e a Lei de Cotas (2012), que determina que o número de negros e indígenas de instituições de ensino seja proporcional ao do estado onde a universidade esta instalada. “Essas são ações muito importantes de reparação”. Tem alguns fatores que a gente ainda precisa quebrar para que o negro tenha direitos e oportunidades reais”, acredita o coordenador nacional das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas Antonio Bento Biko. (memoria.ebc.com.br/.../lei-que-define-crimes-de-racismo-completa-25-a.)

Apesar da mudança no papel, os negros ainda sofrem racismo e freqüentemente se vêem em situação de discriminação. Para o coordenador nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais e Quilombolas (Contaq), no campo legislativo pouca coisa mudou desde que a escravidão foi abolida, em 1888. “A realidade continua a duras penas. O negro foi obrigado a trabalhar como escravo”, disse, citando leis como a da Vadiagem, a proibição da capoeira e o impedimento à posse de terras. Essas leis vigoravam no período colonial. 



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 19h43
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De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios, divulgada em  9/2014, 104,2 milhões de brasileiros são negros e pardos, o que corresponde a mais da metade da população do país (53%). A diferença não é apenas numérica: a possibilidade de um jovem negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior do que a de um branco, de acordo com estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). www.ibge.gov.br/home/.../pesquisas/pesquisa_resultados.php?id_pesquis...

 

VIDA E MORTE SEVERINA ENEGRECIDA

Frente a recusa em serem aceitos no campo agora preenchido pela mão de obra européia, o ex-escravo negro, é forçado a migrar para os centros urbanos. Pela falta de qualificação profissional e condição degradante, foram utilizados em trabalhos de pouca expressão e baixa remuneração, conduzindo o negro a um circulo vicioso, contribuindo sobremaneira para que o ex escravo fosse mantido na teia da miséria, baixa instrução e inclusão no meio social. Esses reflexos surtem seus maléficos efeitos até os dias atuais.

Para descrever que aos negros eram destinados os piores trabalhos motivados pelo racismo e preconceito, na cidade do Rio de Janeiro antes de ser implantado o saneamento no início do século XX,

Os dejetos resultantes das necessidades fisiológicas eram efetuados em pinicos no interior dos aposentos, que posteriormente eram armazenados em barris nos fundos da moradia, quando cheios cabia a um negro da casa transportar na cabeça esses barris até o rio mais próximo ou mar no período noturno para não incomodar os transeuntes da cidade. Durante o trajeto fezes e urina escorriam do barril sobre o pobre homem, ocasionando manchas na pele em conseqüência da uréia, conferindo ao negro devido essas manchas  a alcunha de homens tigres.

(educacao.globo.com/historia/.../escravidao-na-america-portuguesa.html.)

 

Até o momento em solo brasileiro foi mencionado apenas o escravo negro, porém quando os primeiros imigrantes chegaram ao Brasil, embora na condição de homens livres, receberam um tratamento semelhante ao escravo. Fugindo da miséria em seu país de origem, vieram para São Paulo a maioria italiana, a desdita família saía da Europa pobre e chegava aqui miserável, devendo a passagem no translado oceânico, o transporte até a fazenda e, a alimentação fornecida pelo fazendeiro no sistema barracão. Para piorar sua condição uma grande leva de italianos chegaram no final da colheita, havendo uma pequena quantidade de grãos por cada pé, o trabalho era árduo com pouco rendimento, o imigrante recebia pela quantidade de café que colhia, apenas trocaram escravos negros por brancos.

 

            Em sua obra O Cortiço, 2005 Aloísio Azevedo  retrata a Capital Federal no crepúsculo do século  XIX,  fica explícito o preconceito racial dirigido ao negro. Segundo o autor pelos preços cobrados pelos aluguéis e sua baixa remuneração, os pobres eram obrigados a morar  em cortiços, em sua maioria constituída por negros. As autoridades do setor de saneamento juntamente com a mídia e a classe mais afortunada, viam as patologias como febre amarela, tifo, peste bubônica e outras doenças, como sendo de responsabilidade e disseminadas pelos pobres, sobremaneira os negros. Nessa obra literária como em outras, o negro geralmente é destacado como sendo inferior.

A discriminação e preconceito alcançam também as forças armadas, o homem negro não era aceito na aeronáutica e marinha como oficial, apenas em postos subalternos. João Cândido “O navegante Negro” que liderou a Revolta da Chibata, foi punido severamente com a perda de sua patente por volta de 1910,

 

Cotas militares. O jornalista Leandro Fortes, que também participou do seminário, afirmou que, apesar de existirem muitos negros nas Forças Armadas, eles ocupam postos subalternos. Para Fortes, há um mito de que a ascensão nas Forças Armadas é democrática. "Precisamos acabar com essa concepção hipócrita de que somos uma democracia racial. Temos de pensar como resolver isso, discutindo por exemplo, a política de cotas, inclusive nas forças armadas. 



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 19h43
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LEIS TRABALHISTAS

Quando São Paulo inicia seu processo de industrialização, os piores trabalhos eram destinados aos negros que se sujeitavam a trabalhar nessas condições e com uma menor remuneração. Nesse aspecto cabe lembrar que só houve uma pequena correção quando em 1943 o presidente Getúlio Vargas, promulgou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) a qual instituía o salário mínimo, em vigor até os diais atuais. A (CLT) era reivindicada e defendida pelos sindicatos dos trabalhadores, os operários não tinham garantias de que seus direitos seriam resguardados, em especial aos negros a CLT era raro ser aplicada na sua íntegra. Visando erradicar essa situação foi necessária a criação de leis específicas. A lei nº. 5.473/68 que determina a nulidade de toda disposição  que resulte em discriminações entre brasileiros de ambos os sexos, cor, ou raça, para o provimento de cargos sujeitos a seleção nas empresas privadas e no serviço público; a lei nº. 9.029/95 que veda a adoção de qualquer prática discriminatória; bem como o art. 373-A, da CLT, que proíbe a recusa de emprego, promoção ou, ainda, a dispensa do trabalho motivada em razão de sexo, idade, cor, bem como prática que considere sexo, idade, cor ou situação familiar como variável determinante para fins de remuneração, formação profissional e oportunidades de ascensão profissional. (jus.com.br/artigos/8950/o-principio-da-nao-discriminacao-e.../)

 

O HOMEM NEGRO NA ERA DA INDUSTRIALIZAÇÃO

Saltando para as últimas décadas do século XX a região do ABC paulista era altamente industrializada, nessas empresas os funcionários que detinham cargos de chefia ou operário oficial em sua imensa maioria eram constituídos por filhos de europeus particularmente italianos, aos negros competia apenas serviços gerais de menor remuneração, a porcentagem de negros no posto de profissional (torneiro, ferramenteiro, eletricista, encanador,soldador) era bastante reduzida. Durante parte do século XX, foi propagada a idéia de que a sociedade brasileira vivia uma situação de democracia racial, sem que nela fossem observados grandes conflitos raciais e discriminação. Esta concepção, embora confortável, não correspondia à realidade. Após a abolição dos escravos, o país não estabeleceu políticas para incorporação dos ex-escravos ao mercado de trabalho assalariado. As persistentes dificuldades de acesso aos serviços de educação e saúde colocaram esses negros à margem dos progressos da sociedade brasileira e contribuíram para que eles se mantivessem na situação de pobreza e desigualdade que ainda enfrentam. Também no que se referem aos rendimentos, os negros enfrentam discriminação. Mesmo quando têm o mesmo nível de escolaridade que a população branca, negros e pardos recebem menos, em média. Em 2009, as pessoas pardas ou negras ganhavam em torno de 70% dos rendimentos das pessoas brancas.  (www.dieese.org.br/livro/2012/livroSituacaoTrabalhoBrasil.pdf)

 

SAUDAÇÃO À MULHER NEGRA

 

Justiça seja feita, desempenhando alguma função nas repartições dos escritórios das empresas, no departamento de recepção, nem pensar. quanto a mulher negra cabe um capítulo à parte. Da mesma forma que o homem a mulher negra também teve a sua parcela na construção do nosso país. Até o alvorecer da década de 60 a porcentagem de mulheres que trabalhavam para auxiliar o marido no sustento da casa era bastante reduzida, atrelado a preconceitos e tabus, o papel da mulher se resumia em cuidar do lar, ou como empregada doméstica. Com o “Slogan cinqüenta anos em cinco”, justamente ao contrário do que planejava Getulio Vargas, utilizando capital estrangeiro o presidente Juscelino Kubitscheck, afundou o Brasil na parte financeira quando implementou um acelerado processo de industrialização, porém ele não contava com um pequeno detalhe, a falta de mão de obra especializada para operar as máquinas recém chegadas. Com o agravamento da situação não houve outro recurso se não a introduzir o trabalho feminino no processo de produção e, novamente veio a discriminação, para as mulheres negras cabia apenas a função nos serviços de limpeza. No início dos anos 60 era raro ver uma mulher negra 



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 19h42
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Ha décadas a mulher negra vem sendo apontada como aquela que experimenta a maior precariedade no mercado de trabalho brasileiro. Entretanto os estudos que aprofundaram a perspectiva de gênero raramente levam em consideração a variável cor.  Freqüentemente tais estudos homogeneízam a força de trabalho feminina tratando-a como se o fator racial inexistisse enquanto diferencial de direitos ou como se as especificidades que afetam a mulher negra pudessem ser esgotadas no quadro dos problemas gerais concernentes as mulheres. Não raro os estudos tangenciam a temática da mulher negra com breves enunciados formais ou referências históricas que apenas confirmam a desimportância dada ao tema, não apenas no chão das fábricas, mas nas páginas dos livros e formulários de pesquisa a condição da mulher negra é negligenciada. (BENTO, 1995)

Outro ponto de controvérsias era quanto a exploração sexual da mulher negra, ela era subjugada pelo marido que movido por uma educação machista acreditava ter amplos poderes sobre a esposa. Fora do lar trazendo ainda os resquícios da época da escravidão quando o amo descia da casa grande e se enfiava na senzala para se aconchegar com suas escravas, a mulher negra era vista como sendo propriedade dos brancos, como uma mulher sem valores morais em relação ao sexo. A ideologia do branqueamento da população brasileira recaía sobremaneira sobre os ombros das mulheres negras, por acreditarem que as negras tinham como por “obrigação” se deitar com os brancos para essa finalidade, desconsiderando os valores sentimentais e morais da mulher negra.

Em sua obra Casa Grande e Senzala, 2003, Gilberto Freyre procura “dourar a pílula” enfatizando que havia um perfeito entrosamento e boa convivência entre senhores e escravos. Há de se considerar que essa obra foi publicada na década de 30 quando o racismo predominava, Freyre procura em sua obra apenas estar de bem com o governo ditatorial de Getúlio e seus apoiadores, em particular com a elite. As teorias evolucionistas eram acionadas para explicar e resolver o problema racial brasileiro, como a ideologia do branqueamento, defendida por uma geração de intelectuais do século XIX, entre eles Oliveira Vianna. A tese principal de Oliveira Vianna é a de que a miscigenação entre brasileiros (negros e indígenas) e imigrantes europeus levaria ao branqueamento da população do país. Ou seja, a etnia branca, considerada a mais forte, se sobreporia a negra e indígena. Esse processo de seleção levaria a uma suposta evolução racial. ( www.maxwell.vrac.puc-rio.br/17333/17333_3.PDF)

 

 

 

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Com os relatos elencados nesse texto fica comprovada a existência do preconceito. No Brasil o racismo e preconceito não são explícitos, institucionalizados tanto quanto em estados do sul do EUA como Tennessee, Texas e Mississipi onde formaram a Ku Klux Klan ou da África do Sul com suas leis de segregação da apartheid, no entanto é inegável a constatação da presença do racismo, preconceito e segregação de forma sutil, disfarçada, mas isso não atesta sua inexistência, a qual põe por terra a ideologia de uma nação com liberdade e igualdade democrática para todos. Resta, portanto um intenso trabalho de conscientização voltado para a erradicação desse sentimento, é indispensável enaltecer a presença do negro na construção de nossa história e nação, ressaltando inúmeros negros que se destacaram em nossa sociedade em diversas esferas como na musica, dança, engenharia, medicina, literatura, esportes, culinária. É inegável a influência e contribuição da cultura africana no cotidiano da cultura brasileira e, como não poderia deixar de mencionar a beleza, a “ginga”, o balanço, o charme e a atraente aparência da mulher brasileira, reconhecida em todo o mundo, tem um débito expressivo para com a mulher africana. Da mesma forma que a Grécia reconhece seu débito para com a cultura africana, nós brasileiros também temos esse débito e em maior proporção para com os africanos.



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 19h40
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encare como um presente, esse texto sobre Palmares é o resumo de um livro de 182 paginas

copie e guarde para voce, mais tarde pode ser muito útil.

PALMARES ESCRAVIDÃO E LIBERDADE

FLAVIO GOMES

Através do elencado pelo autor podemos observar que em toda América onde houve escravidão, foi permeada por diversas formas de luta dentre as que mais se evidenciam são as fugas para os quilombos. O Brasil por liderar o tráfico na América do sul e sua extensão territorial é colocado em evidência devido ao grande numero de negros escravizados, cerca de 10 a 15 milhões, favorecendo assim a formação de inúmeros quilombos. Os quilombos não eram uma particularidade brasileira ou exclusiva da América do Sul, Caribe, Jamaica, São Domingos, Haiti na América Central, na América do norte os estados sulistas também enfrentaram o mesmo problema. No mundo todo onde houvesse escravos havia rebelião

O quilombo dos Palmares não estava concentrado em um único local, mas, em diversas regiões espalhadas entre Pernambuco e Alagoas na Serra da Barriga. Reuniam diversas comunidades independentes. A palavra quilombo é originária da língua Banto cujo significado é acampamento ou iniciação, que doravante será designada como mocambo como consta nos documentos originais. Só em 1687 a palavra quilombo é usada pelo Governador de S. Paulo Domingos Jorge Velho, encarregado de destruir o quilombo dos Palmares. Convém ressaltar que a fuga temporária ou definitiva não era a única forma de se opor a escravidão. Em sua rebeldia os escravos faziam corpo mole no trabalho, queimavam plantações, invadiam vilarejos e fazendas, em alguns casos matavam o fazendeiro e feitores.  Os mocambos provocavam apreensão das autoridades de toda América do sul. Os mocambos não representavam apenas sentimento de liberdade ou revolucionários, era antes de tudo uma luta de classes. Os africanos estavam habituados na sua sociedade ter o regime de escravidão imposta por suas lideranças, mas de uma forma muito diferente quando vendidos aos europeus.

A história de Palmares é muito imprecisa, recheada de lacunas, por ser descrita baseando-se nos relatos dos soldados e comandantes que por sua vez poderiam exagerar os fatos no intento de valorizar sua atuação, e a imprensa apenas compilou os registros,  não há a comprovação da contribuição escrava na historiografia de Palmares. Criado no alvorecer do séc. XVI perdurou até o final do séc. XVII provocavam apreensão das autoridades de toda América do sul. Os mocambos eram auxiliados por fazendeiros que obtinham lucro no comércio com eles e, com a aliança com índios, espanhóis e franceses cada qual por seus motivos.

De acordo com o historiador norte americano Michael Mullin os quilombolas não lutavam contra a escravidão, o que faziam era definir seus contornos e reproduzir a escravidão como em território africano, no qual sendo o escravo um prisioneiro de guerra, era respeitado como guerreiro e, tinha algumas regalias, muito diferente do mesmo homem quando vendido aos europeus que alem de sua liberdade perdia sua dignidade junto com todos os preceitos destinados a um ser humano. O quilombola não era apenas um homem livre na parte física, ele sofria uma transformação ao se sentir livre no seu interior, em que sua rebeldia se expressava na negação do sistema  que lhe era imposto pelo branco opressor.  Dentre os incontáveis mocambos existentes no Brasil, o de maior notoriedade pela sua extensão e quantidade de abrigados, foi o de Palmares liderado no auge por Zumbi. Pelo viés latifundiário o quilombo era apenas  uma demonstração de rebeldia coletiva, na qual negros fugidos se aliavam a marginais.

Apesar de nos mocambos os negros sentirem-se livres, havia uma hierarquia a ser obedecida, com regras e normas rígidas, onde latrocínio, assassinato, traição e estupro eram punidos sumariamente com a execução do infrator. Os mocambos viviam da agricultura, pesca e criação de gado. Nos embates contra os quilombolas os soldados evitavam matar os escravos, um escravo fugido pode ser recapturado, um morto não, motivo pelo qual nos confrontos  evitavam matar seu oponente, mas em muitos casos o escravo lutava até a morte para não ser recapturado.

Um breve relato de Flavio Gomes sobre a forma de se delinear Palmares na historiografia brasileira evidencia que nunca foi descrito revelando suas verdades como em outras revoltas, do ponto de vista euro centrista a historia de Palmares deveria não constar da nossa história, sua importância como movimento étnico sempre foi silenciada durante séculos, apenas no florescer do séc. XXI é que Palmares recebe uma atenção mais aprofundada. Na visão das autoridades da época Palmares deveria ser vista apenas como uma rebeldia escravista e, que deveria ser reprimida para servir de exemplo, desencorajando outras revoltas semelhantes. . Nas décadas de 20 e 30 cronistas como Rocha Pitta, Francisco Brito Freire e Domingos Loreto do Couto, escreveram muito a respeito, da mesma forma Palmares, Ganga-Zumba e Zumbi transformaram-se em tema de militância política e permearam os gritos de protesto, tanto dos negros como dos trabalhadores que se identificavam como escravos.

Com todos esses registros, se considerarmos em sua totalidade da historiografia brasileira as lutas dos povos afro-brasileiros foi pouco mencionada nos trabalhos acadêmicos e noticiários nos últimos 20 anos. Nesse sentido cabe um destaque para o escritor português Ernesto Ennes que em 1938 trazia em seu artigo compilado dezenas de artigos sobre Palmares. Em face desse processo de desmonte das lutas dos desfavorecidos, torna-se difícil trazer à luz da história muitos detalhes de vital importância para seu entendimento. O mesmo ocorreu com Canudos e particularmente com a Guerra do Contestado esse ultimo pouco divulgado nos meios acadêmicos, diante de tal situação o que nos chega são apenas os relatos uni lateral dos vencedores brancos. Mas temos de admitir que Palmares foi um caso único de luta pela liberdade e defesa dos seus valores. O quilombo na realidade não era um ato de rebeldia, mas sim um estado de conscientização coletiva, em defesa dos seus valores e cultura, impelidos por uma reflexão coletiva, adversa da reflexão enquanto como escravo. O quilombola não era apenas um homem livre na parte física, ele sofria uma transformação ao se sentir livre no seu interior, em que sua rebeldia se expressava na negação do sistema anterior que lhe era imposto pelo branco opressor.

Um habito curioso sobre Palmares, voltado para a formação familiar por haver poucas mulheres, e a mortalidade ser elevada, cada mulher podia ter de 4 a 6 maridos, todos morando em harmonia na mesma cabana, sendo a mulher que ditava as ordens a seus maridos, era ela quem recebia uma data de terra, mas a produção era socializada. A vida no mocambo não era fácil, os negros que eram seqüestrados das fazendas, ao adentrarem no mocambo eram tratados como escravo dos negros criolos, para conseguir sua alforria tinha de participar do aprisionamento de outros negros nas fazendas vizinhas. Alem das 



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 01h41
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diversas dificuldades encontradas de quem vive embrenhado nas matas, sempre com o receio de ser capturado, quando ocorria de uma expedição punitiva alcançar um mocambo, a fuga era muito penosa, em que os danos durante a fuga era maior que os provocados pelas armas dos soldados, nem sempre mulheres e crianças conseguiam acompanhar os demais e eram largados para trás. . Quanto a forma política de administração não se pode afirmar com toda convicção, mas os chefes eram escolhidos por sua bravura, experiência em combate e sobretudo poder de liderança, todos sem distinção poderiam concorrer ao cargo de “rei” sem que essa disputa promovesse discórdia entre os participantes.

As  dificuldades impostas para combater Palmares eram infindáveis, os soldados tinham de enfrentar penosa caminhada por entre a mata fechada, terrenos íngremes de difícil acesso, desconheciam a região, ataques de feras, mosquitos e índios hostis, frio e fome.  Por não poderem receber auxilio precisavam transportar muito peso, armas, pólvora, munição, água, comida, rede, esse sobrepeso exauria as forças dos soldados,  a maioria morria mais pelo sofrimento que em combate. Outro viés de suma importância era a rede de comunicação, a qual conferia aos mocambos grande vantagem ao serem avisados de antemão a aproximação das expedições punitivas. Há suspeitas de que devido ao grande volume de escravos recém chegados os nativos dos mocambos se comunicavam com os africanos no continente pátrio, tanto que em Palmares ouviu-se falar da Rainha Nzinga de Angola

  Um fator que contribuiu para sucesso dos mocambos é que segundo alguns historiadores, alguns chefes tribais foram aprisionados como escravos e enviados para os canaviais brasileiros, esses chefes guerreiros ao se instalarem nos mocambos levavam a experiências de liderança e combate. Os mocambos especialmente o de Palmares tornaram-se tão eficientes na sua produção e formação militar capaz de rechaçar qualquer ataque por parte das forças expedicionárias punitivas enviadas pelo governo português, situação essa que se mostrou como melhor opção fazer acordo de não agressão  do que insistir em ser derrotado na maioria das batalhas, Palmares era uma organização capaz de ser afetada pelas expedições, mas não dizimada.

Entre Zumbi e Ganga-Zumba a disputa pelo poder por volta de 1675 o chefe de Palmares era Ganga-Zumba, provavelmente tio de Zumbi. Zumbi que na língua africana significa diabo era crioulo de Palmares, nascido em 1655, com a morte do tio Ganga-Zumba, ele assumiu o comando de Palmares na região de Pernambuco por volta de 1678 com 23 anos de idade. Quando criança foi capturado e levado para a vila de Porto Calvo, onde conheceu o padre Antonio de Melo com quem aprendeu ler e escrever o português e latim. Esses conhecimentos o favoreceram na liderança e na defesa de Palmares. O historiador baiano João José Reis foi um dedicado pesquisador sobre Palmares, em sua obra “ Resistência Quilombola” ele relata que Zumbi se comunicava com a coroa Portuguesa através de cartas, embora Zumbi fosse uma pessoa radical, houve uma tentativa de acordo.

Em 1680 forças coloniais comandadas por João Martins e Alexandre Cardoso infringem grande derrota aos Palmarista, quando uma grande quantidade de negros são aprisionados e enviados para Recife, minando as forças dos revoltosos. Em represália Zumbi ataca os povoados circunvizinhos. De 1683 a 1687 são realizados novos ataques, nos quais enfraqueceram Palmares. Nas senzalas os cativos acompanhavam os desfechos, tendo em mente que se Palmares fosse derrotado as trocas econômicas, a solidariedade e  os sonhos de liberdade sofreriam grandes prejuízos.

Para o governo, população, senhores de engenho e fazendeiros apesar das vitórias conquistadas Palmares não poderia continuar a dominar a região, a única solução encontrada foi recorrer aos paulistas. Após longos anos de preparação e negociação em agosto de 1692 os paulistas liderados pelo bandeirante Domingos Jorge Velho avançam contra Palmares. As negociações foram o maior entrave devido as exigências paulistas. Pernambuco deveria fornecer pólvora, balas, e provisões, 20% do valor arrecadado com os escravos presos e vendidos, mulheres e crianças aprisionadas pertenceriam aos combatentes paulistas, mas o que mais pesava era a concessão das terras dos vencidos para os paulistas. As outras exigências eram mais toleradas, no entanto a questão da terra representava o maior quinhão. Mesmo a contra gosto a coroa portuguesa e os demais sentiram a necessidade de ceder diante das exigências paulistas.

Nos primeiros confrontos a tropa de Domingos Jorge Velho com mais de 1000 homens era constituída por índios, negros e homens brancos, sofreram pesadas baixas. Tudo conspirava contra o bandeirante, mosquitos, doenças, relevo e mata fechada, fome, deserção. A tropa paulista estava habituada a combater os indígenas, mas desconheciam as táticas de guerra do homem negro.

Como foi a morte de Zumbi. Um mulato recebeu a oferta de que não seria punido e sua vida seria poupada em troca conduziu a tropa até o esconderijo do líder. Zumbi e mais uns 15 companheiros decidiram lutar até a morte. Sua cabeça foi exposta na praça dos vilarejos para por fim ao medo e terror que o negro havia espalhado na região. Em 1703 o líder Camoanga foi morto durante uma batalha.

 

As forças paulistas permaneceram na região até 1725. Apesar de todos esses contratempos os pernambucanos eram contra a permanência dos paulistas na região onde outrora fora Palmares. A igreja também enfrentava contendas com os paulistas por eles não aceitarem a se submeter ao clero instalado nas vilas. Com esse episódio cumpre-se aceitar a máxima que o rei recebia em Portugal a respeito dessa gente. Na corte um conselheiro disse ao monarca lusitano: “Majestade se vossa alteza precisar dos brasileiros para alguma contenda, conte com os paulistas, é uma gente tão destemida e valente, que não tem Deus e nem rei”.

 

Concluindo, o autor em sua obra deixa clara a grande contribuição dos quilombos nas revoltas empreendidas pelos escravos, mesmo não sendo a única forma de luta, os mocambos tinham peso decisivo, era nos mocambos que o escravo passava a ter o sentimento de liberdade que carreava para seu ego a consciência de recuperar a condição humana. Mocambo não era identificado como rebeldia da forma que  pretendiam os europeus, era antes de mais nada uma consciência coletiva que os impelia para uma luta de classes, o mesmo homem que ontem era escravo, sem identidade, sem raízes, sem cultura, ao quebrar das correntes se apoderava de todos esses sentimentos inerentes ao ser humano, agora ele escravo negro passava sim a ter identidade, raízes, reconhecer-se na sua luta em defesa dos seus direitos e particularmente empreender em uma árdua labuta em defesa de sua cultura, a qual só pode ser preservada com a existência dos quilombos.

 

 

Luiz Bortolo

 

14/03/2015



Escrito por PROFESSOR LUIZ às 01h37
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